Se desde os Impérios Antigos, através mesmo da legitimação religiosa, a relação de parentesco mítico entre os grandes chefes e os deuses havia aproximado aqueles à imagem destes; no panteão grego, já são os deuses representados e imaginados à semelhança dos homens.
O Grande Império Egípcio contou com trinta e uma Dinastias Reais (mais de cinquenta Faraós) desenvolvidas num período de mais de três mil anos que é hoje dividido pela Egiptologia em dez períodos históricos. A história do Egito pode ser vista como um exemplo clássico da importância do herdeiro homem na manutenção da Dinastia Real. Quando há falta deste herdeiro, com a morte do Faraó, um novo o substituirá iniciando assim uma nova Dinastia. Esse novo Faraó, poderia ser um parente próximo ou distante, ou mesmo um general eminente, que se case com a viúva ou mesmo a filha do antigo Faraó: era sempre a linhagem nova de um Faraó que fundava uma nova Dinastia. Além disso, nos períodos finais do Império Egípcio, novos conquistadores, como Alexandre o Grande da Macedônia, autodeclaravam-se Faraós. No caso de Alexandre, um oráculo o denominou filho de Amun-Re e assim legitimou seu entronamento.
A mitologia grega também é repleta de histórias de homens filhos de deuses, sendo Hércules um dos mais conhecidos por seus trabalhos heróicos. O que nos interessa aqui, portanto, é a inversão: os gregos não apenas divinizaram homens, mas humanizaram deuses. Sentimentos do caráter humano, como os ciúmes, a inveja, o desejo e a vingança foram projetados aos deuses de modo que o maior modelo da arte grega é o homem: sua inteligência e sua harmonia de forma e razão, a que hoje chamamos clássicas.
Racionalismo e Beleza eram ideais da arte grega. A estatuária grega representa, ainda hoje, os mais altos padrões já atingidos pelo homem. O antropomorfismo (representação das formas do homem/antropo) ressaltava equilíbrio e movimento. É também na Grécia Antiga onde os artesãos passam a ser conhecidos por suas obras:
Praxíteles – Hermes com Dionísio menino;
Policleto – Doríforo condutor da lança;
Fídias – Zeus Olímpico, Atenéia (também foi quem decorou o Phantenon);
Miron – Discóbolo;
Lísipo – Eros a preparar o arco, Eros e Psique.
Apesar de a arte grega ter atingido padrões de perfeição invejados ainda nos dias atuais, seus artistas também eram considerados meros artífices. Assim, o artista da Antiguidade, Clássica ou não, era antes de tudo construtor, já que o desenvolvimento tanto da pintura quanto da escultura, dependia de modo estreito do desenvolvimento da arquitetura. Entretanto, os pintores e escultores gregos, ao contrário dos egípcios, não tiveram que ater-se à aprendizagem e repetição permanente de formas imutáveis fixadas com anterioridade, mas sim, ao tomar como referência o modelo natural, estiveram abertos a um progresso expressivo ilimitado (A Arte e o Artista in: História Geral da Arte. Edições Del Prado, 1996. p.49.).
E é assim, que na história da arte ocidental como hoje a estudamos, que o artífice executor de formas precedentes deu passagem ao artista com personalidade própria e com vontade de originalidade. Os artistas gregos rivalizavam entre si e escreviam tratados – como o de Policleto sobre as proporções do corpo humano – mas ainda assim, sofriam a velha descriminação contra o trabalho manual e remunerado; o que não acontecia aos músicos e poetas. Plutarco, por exemplo, escreveu: “Gozamos com a obra e desprezamos o autor”. Luciano, estendeu-se mais em enfatizar a dicotomia:
“Ainda que te convertas em um Fídias ou um Policleto e cries muitas obras maravilhosas, todos elogiarão tua obra, é certo, mas nenhum dos que te vêem querá ser como tu; pois seja como seja tua obra serias considerado um artífice, um artesão, um que vive do trabalho das suas mãos.”

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