Home Data de criação : 08/08/25 Última atualização : 08/12/08 13:49 / 13 Artigos publicados
 

Arte Clássica: Inteligência e Harmonia Ideal  escrito em sexta 24 outubro 2008 21:11

escultura grega, arte clássica

 

Se desde os Impérios Antigos, através mesmo da legitimação religiosa, a relação de parentesco mítico entre os grandes chefes e os deuses havia aproximado aqueles à imagem destes; no panteão grego, já são os deuses representados e imaginados à semelhança dos homens.

 

O Grande Império Egípcio contou com trinta e uma Dinastias Reais (mais de cinquenta Faraós) desenvolvidas num período de mais de três mil anos que é hoje dividido pela Egiptologia em dez períodos históricos. A história do Egito pode ser vista como um exemplo clássico da importância do herdeiro homem na manutenção da Dinastia Real. Quando há falta deste herdeiro, com a morte do Faraó, um novo o substituirá iniciando assim uma nova Dinastia. Esse novo Faraó, poderia ser um parente próximo ou distante, ou mesmo um general eminente, que se case com a viúva ou mesmo a filha do antigo Faraó: era sempre a linhagem nova de um Faraó que fundava uma nova Dinastia. Além disso, nos períodos finais do Império Egípcio, novos conquistadores, como Alexandre o Grande da Macedônia, autodeclaravam-se Faraós. No caso de Alexandre, um oráculo o denominou filho de Amun-Re e assim legitimou seu entronamento.

 

A mitologia grega também é repleta de histórias de homens filhos de deuses, sendo Hércules um dos mais conhecidos por seus trabalhos heróicos. O que nos interessa aqui, portanto, é a inversão: os gregos não apenas divinizaram homens, mas humanizaram deuses. Sentimentos do caráter humano, como os ciúmes, a inveja, o desejo e a vingança foram projetados aos deuses de modo que o maior modelo da arte grega é o homem: sua inteligência e sua harmonia de forma e razão, a que hoje chamamos clássicas.

 

Racionalismo e Beleza eram ideais da arte grega. A estatuária grega representa, ainda hoje, os mais altos padrões já atingidos pelo homem. O antropomorfismo (representação das formas do homem/antropo) ressaltava equilíbrio e movimento. É também na Grécia Antiga onde os artesãos passam a ser conhecidos por suas obras:

 

Praxíteles – Hermes com Dionísio menino;

Policleto – Doríforo condutor da lança;

Fídias – Zeus Olímpico, Atenéia (também foi quem decorou o Phantenon);

Miron – Discóbolo;

Lísipo – Eros a preparar o arco, Eros e Psique.

 

Apesar de a arte grega ter atingido padrões de perfeição invejados ainda nos dias atuais, seus artistas também eram considerados meros artífices. Assim, o artista da Antiguidade, Clássica ou não, era antes de tudo construtor, já que o desenvolvimento tanto da pintura quanto da escultura, dependia de modo estreito do desenvolvimento da arquitetura. Entretanto, os pintores e escultores gregos, ao contrário dos egípcios, não tiveram que ater-se à aprendizagem e repetição permanente de formas imutáveis fixadas com anterioridade, mas sim, ao tomar como referência o modelo natural, estiveram abertos a um progresso expressivo ilimitado (A Arte e o Artista in: História Geral da Arte. Edições Del Prado, 1996. p.49.).

 

E é assim, que na história da arte ocidental como hoje a estudamos, que o artífice executor de formas precedentes deu passagem ao artista com personalidade própria e com vontade de originalidade. Os artistas gregos rivalizavam entre si e escreviam tratados – como o de Policleto sobre as proporções do corpo humano – mas ainda assim, sofriam a velha descriminação contra o trabalho manual e remunerado; o que não acontecia aos músicos e poetas. Plutarco, por exemplo, escreveu: “Gozamos com a obra e desprezamos o autor”. Luciano, estendeu-se mais em enfatizar a dicotomia:

 

“Ainda que te convertas em um Fídias ou um Policleto e cries muitas obras maravilhosas, todos elogiarão tua obra, é certo, mas nenhum dos que te vêem querá ser como tu; pois seja como seja tua obra serias considerado um artífice, um artesão, um que vive do trabalho das suas mãos.”

Partager

Faça um comentário!

(Opcional)

(Opcional)

error

Importante: comentários racistas, insultas, etc. são proibidos nesse site.
Caso um usuário preste queixa, usaremos o seu endereço IP (38.107.191.111) para se identificar     

Todos os comentários desse artigo:
Arte Clássica: Inteligência e Harmonia Ideal

  • Adilson mailto

    Sex 28 Nov 2008 04:31

    Olá, doutoranda. Estranhei um pouco, nesse artigo, uma mudança repentina de tópico. Você vai da reificação do homem no Antigo Egito, passa pela legitimidade dos faraós e da hereditariedade, o que mostra um aspecto político, até chegar aos artistas com desejos de originalidade. Será que não falta um liame mais firme entre tais aspectos? Antes que me esqueça: tenho O Dicionário de Mitos Literários, de Pierre Brunel, caso não tenha dito.