A arte mais antiga de que temos notícia, chega até nós através da natureza dura que as preservou (monólitos, esculturas, pintura em cavernas ou rochas ao ar livre). Essa arte pétrea é tudo o que podemos ver do imaginário do homem pré-histórico. Homem de uma época anterior à comprovação histórica. Pensar sobre a pré-história é essencialmente um trabalho imaginativo. Imaginamos que tenha vivido em pequenos grupos de caçadores. Que quando as encontrava, faziam das cavernas abrigo e refúgio. E é justamente nelas, onde mais encontramos, preservadas até os dias atuais, a maioria das pinturas pré-históricas conhecidas. Como as quatro que selecionamos aqui:
- Cavalo de Lascaux, França;
- Touro de Altamira, Espanha;
- Arqueiros do Barranco da Gasulla, Espanha;
- Cena de Caça de Valltorta, Espanha.
Como interpretar a arte de um homem e uma sociedade inconcebíveis? Primeiramente, é claro aos que estudam a mesma que não se tratava de uma arte primitiva, e apesar das limitações técnicas prováveis da época, há riqueza de pigmentos, volume, profundidade e movimento no aproveitamento do relevo das cavernas. É de se imaginar que a iluminação deveria ser precária, bem como os modos de trabalho dos ‘artistas rupestres’ que pintavam salões e tetos com maestria. Mas, quem eram os artistas da pré-história? Por que pintavam? A grande maioria das cenas rupestres retratam animais de grande porte (1 e 2), bem como cenas de caça (3 e 4). É provável que tenha havido uma certa função didática na criação dessas pinturas. A cultura de caça sendo transmitida através de imagens que familiarizavam o caçador e a caça, preparando-o para o encontro fatal. Assim, encontraríamos uma motivação mágico-pedagógica, de caráter psicológico. A proporção muitas vezes desmedida desses animais ressalta o tamanho do medo a ser vencido.
Como vemos, a maioria das pinturas pré-históricas retratam a vida exterior: tanto pra um como pra todos. Caçar era vital à sobrevivência desse homens. E as cenas eram reconhecidas e conhecidas por todos. Mas nem toda arte era assim, tão objetiva. Alguns remanescentes nos mostram imagens de identificação mais difícil, o que prova a existência pré-histórica do corpo-de-sonho fazendo-se arte através de símbolos menos exatos e portanto mais oníricos.
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