Home Data de criação : 08/08/25 Última atualização : 08/12/08 13:49 / 13 Artigos publicados
 

Mercado Estético de Políticos-Guerreiros  escrito em sábado 08 novembro 2008 14:38

arte romana, colecionismo

 

Com o declínio de Atenas (Grécia) e a expansão helenística (Roma), desenvolveu-se um autêntico mercado da arte onde se pagavam somas quantiosas pelas obras-primas e a partir do qual floresceram as coleções particulares.

 

A comercialização da arte, concomitante à expansão do Império Romano, mantinha o modelo grego ideal de beleza. E era mesmo moda entre as famílias patrícias a escolha de seu artista favorito, que geralmente eram gregos, e lhes pagar elevadas quantias por suas obras. Os pátios e os jardins eram decorados com as estátuas desse colecionismo, e a apropriação privada da arte fez a mesma tomar uma dimensão humana e democrática, quando antes ela era destinada à realeza teocrática.

 

Mas a expansão do Império Romano faz surgir uma classe de guerreiros bem sucedidos, que passam a representar o poder de Roma nas terras conquistadas e adquirem status de patrícios, donos de terras e coletores de impostos ao poder central do Império. Por isso, quando falamos em uma dimensão democrática da arte do período romano, quase sempre ainda grega, temos em mente a origem mesma da palavra, em seu sentido mais de elite democrática que representa o demos/povo, que do povo em si. A grande maioria da população era campesina, e continuava pagando seus tributos, a um ou a outro mando.

 

Numa época onde as fronteiras eram estabelecidas pelas políticas da guerra, era comum tanto a remarcação das mesmas, quanto a troca dos líderes. As guerras de conquista eram o motor do Império Romano que se expandia atribuindo e recebendo influências das culturas dominadas.

 

Entretanto, a posição do artífice permanece ambivalente, como em toda a Antiguidade. Agora, porém, alguns artistas viviam em condições sócio-econômicas mais opulentas, apesar de não gozar da dignidade intelectual concedida às artes liberais: filosofia, música e poesia. Ao menos, os artistas podiam praticar sua arte com certa liberdade temática, ao contrário dos artesãos pré-clássicos, que aprendiam um padrão pré-estabelecido a ser perpetuado por meio da repetição fiel de formas e conteúdos. Como no exemplo máximo do Egito faraônico, cuja arte manteve-se praticamente inalterada ao longo de milênios.

 

Podemos perceber, para fins de análise, que quando o artista faz sua arte a mando de uma elite, está arte tende a ser idealista. A execução de detalhes do cunho pessoal do artista não é vista com interesse, já que o ‘autor’ desta arte é desvalorizado e permanece oculto, como mero artesão, operário de uma arte idealizada por quem detém o poder e os meios para a promover, e assim, promove a si mesmo enquanto poder que constrói monumentos ao deleite de seu próprio ócio. É de fato, uma arte idealizada por quem não quer nem suar, sujar ou cansar o próprio corpo; arte ideológica, portanto.

 

Quando a arte começa a ser praticada mais individualmente, ela tende a ser expressionista, e expressa as qualidades individuais de quem concebe e cria suas próprias obras. A arte grega, assim como sua sucessora, a romana, tendem ao expressionismo. Como podemos observar na imagem acima, detalhe de um mosaico que retrata Alexandre encontrando com Dario III.

 

Se buscarmos sinais oníricos na arte clássica, poderemos os encontrar na representação de cenas e heróis míticos, tão comuns à arte da Antiguidade. Esse onirismo é, entretanto, coletivo; já que os mitos são os sonhos da coletividade, e são herdados culturalmente. O artista do Mundo Antigo ainda não tinha desperta a liberdade de representar seus próprios sonhos, seu lado noturno e interior; sua individualidade extrema. Para essa expressão completa e complexa será necessário um longo caminho de desenvolvimento social da figura e do status do artista, das técnicas de produção da arte e de seu lugar no mercado de consumo. Será necessário todo um contexto para que o artista tenha finalmente a liberdade necessária para produzir seus sonhos, no que chamaremos de Arte Onírica. Essa arte que terá seu berço no Renascimento, sua força motriz e matriz na Modernidade e sua apoteose na atualidade.

 

Partager

Faça um comentário!

(Opcional)

(Opcional)

error

Importante: comentários racistas, insultas, etc. são proibidos nesse site.
Caso um usuário preste queixa, usaremos o seu endereço IP (38.107.191.114) para se identificar     

Nenhum comentário
Mercado Estético de Políticos-Guerreiros